Breve história
A tradição marcial e cultural às quais incluímos o Shang Sheng iniciam seu curso com as tribos guerreiras do Cáucaso. Essas tribos que convivam em um mundo violento desenvolveram uma forte tradição baseada na guerra. Os povos arianos que desenvolveram algumas das mais antigas técnicas e estratégias de luta começaram a se expandir por meio de conquistas militares já no final do terceiro milênio a.c. Como a tecnologia militar dos povos arianos era muito superior a dos povos conquistados eles se estabeleceram como uma casta de elite guerreira e escravizaram sistematicamente os povos que encontravam em seu caminho. A maioria dos povos que os arianos atacavam ainda utilizavam tecnologias rústicas do neolítico, enquanto os povos arianos já haviam entrado na idade dos metais. A expansão territorial ariana seguiu em direção à Europa, Ásia Menor,Subcontinente Indiano e Península Arábica.

Em cada região que as tribos guerreiras arianas invadiram a cultura marcial seguiu evoluindo e assumindo identidades próprias. Na Índia por volta do ano 1 800 a.c. toda uma cultura já estava se estabelecendo com base nos sistemas de castas em que os guerreiros arianos assumiam papel relevante na sociedade. É nesta sociedade que encontramos as referências mais antigas a cultura guerreira, que até então era transmitida oralmente. Os textos denominados Vedas contam a história desses povos antigos, e o texto mais recente do século quinto ou sexto a.c. denominado Bhagavad Gita presente no épico Mahabharata relata a guerra de Kurukshetra e muitas de suas estratégias militares
De forma similar ao que ocorreu no subcontinente indiano e nas demais localidades que os povos arianos se estabeleceram os da antiga Pérsia se referiam aos Arianos como invasores e elite guerreira. No final da Idade do Bronze temos o advento de novas armas e estratégias militares que levaram a mais uma onda de invasões empreendidas principalmente pelos Povos do Mar, durante essas invasões podemos destacar a Guerra de Tróia como icônica nas descrições de táticas e cultura militar. Os gregos, herdeiros desta cultura desenvolveram o seu Pancrácio, enquanto os indianos desenvolviam o Vajramushti, ambas foram artes marciais tradicionais da elite guerreira destas civilizações.


A cultura grega mais do que qualquer outra manteve a cultura belicista viva constantemente, durante centenas de anos as diversas cidades autônomas gregas, intituladas Polis, estavam em guerra, umas com as outras. Com isso desenvolveram um código de ética guerreiro baseado na nobreza aristocrática. É nestas cidades gregas que surgiram grandes filósofos e que se deu o berço da civilização ocidental. Em uma cidade grega chamada Esparta, talvez mais que em qualquer outra, desenvolveu-se um Estado todo voltado para a guerra. Alguns generais espartanos foram muito famosos ao inovar a tecnologia da guerra. Com um forte espírito que amava mais a liberdade que qualquer outro bem, os gregos forjaram uma sociedade que seria capaz de dominar belicamente e intelectualmente os povos considerados bárbaros.
Com as conquistas gregas o intercâmbio cultural entre a cultura grega e as demais culturas levou a uma disseminação da filosofia grega. Ainda em sua expedição, Alexandre se deparou com os sábios indianos conhecidos pelos gregos como ginosofistas, foram estes que introduziram a filosofia hindu no mundo grego. Na Índia a cultura milenar dos iogues, praticantes do yoga, já estava ligada a uma religião surgida pouco antes da chegada de Alexandre e sua tropa grega. O budismo estava crescendo em influência no território indiano quando encontrou a tradição filosófica grega, deste encontro de civilizações surgiu a escola do budismo Mahayana. Nesta nova tradição greco-budista, da qual rei grego Menandro I que reinou na Índia e teve papel preponderante pertencia, surgiu uma nova cultura que se desenvolveu muito na classe guerreira dos reinos indo-gregos.
Neste contexto da Era de ouro da filosofia grega tivemos a liderança de grandes mestres. Sócrates foi um herói na guerra do Peloponeso contra Esparta. Platão era considerado um grande artista marcial, bem como maior ícone da ciência grega. Alexandre o Grande, discípulo de Aristóteles, instruído pelo seu mestre na arte do Pancrácio, em Filosofia, Política, Ética etc. Levou a cabo um antigo sonho grego, o de conquistar o mundo conhecido. Alexandre empreendeu a campanha contra os Pérsas e outros povos que culminou com a maior conquista territorial do mundo antigo.


A próxima etapa se iniciaria no século sexto com a o patriarca budista Bodhidharma levando esta linha budista para a China. Bodhidharma, assim como o Buda Sidarta Gautama, pertencia a casta guerreira e conhecia as práticas referentes a longa tradição marcial iniciada pelos povos arianos. Na China Bodhidharma ensinou não apenas o budismo, também ensinou práticas marciais principalmente no templo Shaolin. Por isso ele é considerado o grande patriarca do budismo chinês, bem como o primeiro grande patriarca do Kung Fu chinês. Mais tarde Ng Mui e outros monges reformaram e aperfeiçoaram as práticas do kung fu.
Muitas religiões e filosofias de origem chinesa desenvolveram práticas que envolviam conteúdo marcial. O Shang Sheng moderno não é uma arte marcial no sentido estrito, portanto não é classificado como Wushu, ele é uma filosofia prática e uma terapia em movimento. Apesar de todas as influências, o Shang Sheng é uma filosofia original com características próprias.
Atualmente a tendência tem sido adaptar a tradição antiga à sociedade contemporânea. Como o foco do Shang Sheng é na educação, recentemente está ocorrendo um movimento de integração das práticas antigas com as tecnologias modernas.


